sábado, 25 de maio de 2013

Ambiguidade

O que eu faço é incerto. Vivo aqui e ali. 
E confesso, sou uma alma inquieta. 
Preciso de um lugar pra me acalmar.
Os dias passam rapidamente e me perco nos seus caminhos.
O horizonte é meu guia.
Uma flecha que de vez em quando bate na árvore errada.
Parei aqui, deixa eu ficar?
Minhas pernas estão cansadas de caminhos longos e tortos.
Estou aqui e não vou mais.
Confie, os sonhos precisam ser interpretados.
Ou bem ou mal.




quinta-feira, 23 de maio de 2013

Cor? Ação?


Me diga agora: Qual a cor da solidão?
Negra como a noite ou branca como a neve?
Consegues dizer a cor do meu coração?
Diga logo, antes que a solidão me leve.

Me diga agora: Qual a cor das minhas lágrimas?
Vermelhas como sangue ou transparentes como água?
Consegues dizer a cor das minhas lástimas?
Diga logo, antes que eu me afogue em meio às mágoas.

E agora? Consegues ouvir a cor do problema?
Podes tocar o calor da tristeza?
Mas ainda mais escuro que este dilema
É a confusão que a minha alma enfrenta! 




(Ao som de: Roulette - System of a Down)

**retirado do meu antigo blog www.poesiavivida.blogger.com.br, escrito em 19 de julho de 2004**

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Royal Straight Flush

Traço de memória que se tenta desenhar e não consegue
Quadro que se pinta e quando se termina está em branco
Não consigo fugir do que sou 
Minhas escolhas não são assim tão minhas 
Melodia manchada de sangue. 
Quando se está sozinha e com insônia, 
Se percebe nuances do ser que não existe quando é dia 
Quando se é são 
Quando se sorri.
Pequenos detalhes que me assustam... 
Penso em algum deus... 
Penso nalgum demônio... 
Agora, penso tanto que nada mereço por não conseguir ser pura, 
Pensar é ser maculado 
Ruas desertas que cruzo comendo a própria poeira 
Céu escarlate que os felizes vêem azul 
Noite negra que se faz sem estrelas aos meus olhos cadentes 
Reato alguns nós e vejo que de tudo que fiz, tudo que escrevi, tudo que conquistei 
Nada importa mais que algumas horas de sono tranquilo 
Sono alegre, descompromissado 
E a insônia insiste em perfurar meu caráter que já não é mais meu 
Esperanças de amanhãs 
Minhas mãos ásperas acariciam um ser inexistente 
A lembrança de seu corpo, já ausente 
Que se faz presente em meus olhos 
Quando suo, ofego, amo, e me sinto completa 
Algo me faz sorrir, algo me faz acender um cigarro e saber 
Que se lírios jamais serão capazes de trazer felicidade, mas alucinação 
Erros cometidos, infantilizados, mas ainda erros 
Se nuvens não podem ser tocadas e se fossem jamais se comparariam 
Se não é mais real, que seja para sempre bonito 
Poucos segundos valem a vida 
E estão guardados no peito 
Na espera do amanhã esquecido 
Na memória da treva presente existe a escuridão iminente 
Mas a tua mão me guia para a luz que existe 
E se é pouca, eu sempre soube o caminho 
Ou tive ao menos o otimismo de acreditar que encontraria 
O que jamais encontrei 
Royal Straight Flush 
Mas passarei para ver o que escondem estes teus olhos 
Tão mais valiosos que meus prazeres mundanos 
E gritam em algum socorro que ainda não compreendi 
Mas estou prontamente segura de que com quatro pernas seremos aptos a caminhar 
Por mais profundas trevas que tivermos que escalar 
Por mais áridas lágrimas tivermos de chorar 
Por mais que se abrigue a maior demência perturbada em minha mente frágil 
Enquanto viver, minhas palavras florescerão, mesmo que como erva daninha 
Darão vida, por mais mórbida, por mais rastejante, a alguma folha de papel 
Minhas preces inglórias a deuses que nunca houveram 
E existem por ter teu apoio 
Mesmo que discordante 
Mesmo que incompreensivo. 
Sussurro no escuro palavras que só você conhece 
Com o significado turvo todo que existe a mim 
O abismo olha para mim, mesmo que eu não olhe para ele
Me persegue, me procura 
E me acha em berço doce 
Mas a lembrança das carícias brandas 
Me guarda da perdição 
Que seria minha existência rastejante 
Se não tivesse tido teus olhos, teu sorriso, tua mão doce em conforto 
De tão pequeno ser 
Deixe-me sentir o calor do seu corpo 
E os fluidos que emanam me alimentam 
Eternamente.


**retirado do meu antigo blog www.poesiavivida.blogger.com.br, escrito em 30 de junho de 2005**


A Passos Largos, Tropeço

Sigo uma lógica de loucos, 
previsões eu murmuro 
Como posso entender tanto o futuro 
se nem metade do que pensava hoje acho? 

Mas a intenção do meu passo 
é sempre maior que minhas pernas 
Eu sei. 
Só não sei qual passo estou dando 
e nem pra onde. 

terça-feira, 21 de maio de 2013

Fim do Túnel

Apeio do passado
como um corcel alado,
levo coices durante o tempo
em que se bebe nas fontes
na fronte, o rosto macerado
marcado nas pedras dessa cidade.

No chão o sangue
como um batom carmim
como um olhar negro cajal
como um grito reprimido sem fim

e carros, sons, lenços, vozes,
sons que ouço e não decoro
a lembrança de sofrimentos atrozes
onde não se podia chorar: choro.





“Além daquilo que faz chorar os poetas, que faz com 
que os soldados se lancem para a frente e percam
a vida à luz do sol: que será?”


Ruínas


Meus sonhos são casas em ruínas
um Coliseu habitado por animais rastejantes
homens de pedra -pome?


Quanto mais me aproximo da velhice
mais perto e palpável fica minha infância
como se eu quisesse escalar o cordão umbilical
que me expeliu, voltar ao útero,
compreendê-lo e depois boiar
certo que o fim é uma outra ponta do começo.



Desde que nasci, ando pra trás
- uma régua de negativas-
aritmeticamente trágica
e me seguro para não despencar
nessa espécie maior de ausência.


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