"eles amam as loucas, mas se casam com outras"
Essa frase da música de Rita Lee me faz refletir muito sobre isto. Sobre as pessoas fugirem daquilo que é forte, que é intenso, que faz perder o fôlego e a razão.
E quando ela diz "eles amam as loucas" ela se refere aos homens que foram tocados com intensidade, fogo, com paixão. Ela fala de homens que conheceram o selvagem, a noite, o amanhecer iluminado.
Mas, grande parte deles fogem. Eles se sentem pequenos diante da imensidão que mulheres reais trazem. Mulheres tão reais que são inacreditáveis.
Por isso, "eles se casam com outras" porque a zona de conforto não dói, porque o padrão não incomoda, porque a família prefere o tradicional, o politicamente correto. Ninguém quer lidar com a independência e a coragem que assusta. Preferem a passividade, a fidelidade cega que ocupa o lugar do que deveria ser lealdade.
Essa música da Rita Lee diz muito sobre a solidão de mulheres independentes, que na verdade, não é solidão, e sim solitude.
E entre escombros que não são de tragédia nenhuma, sigo eu, relutante, vivendo na contra mão dos padrões, fora das convenções... Não anseio preencher nenhum vazio, porque vazia não estou, basto a mim mesma, anseio por mais dois pés trilhando a mesma estrada, o mesmo trecho da caminhada... para amar, sorrir e partilhar, até a fatídica encruzilhada...
Ilustração: Maria Uve
