sábado, 31 de março de 2012

Inexistente


O que fazer quando nada mais importa?
Pra onde seguir se as portas se fecharam?
A escuridão tomou conta da sala,
Que esta fechada para visitação.
As janelas não se abrem,
A claridade insiste em penetrar pela fenda,
Que aos poucos diminui
Bloqueando a passagem do vento.


O nada corrompeu os sentidos
O vazio preenche os espaços
E a vida se esvaindo em meio ao caos da alienação.


Prosseguir é o mais difícil,
Desistir é possível,
Permanecer imutável na solidão de si mesmo
Com o tempo correndo ao contrário.


Perder o que não se tem,
Encontrar o que não se conhece,
Partir sem deixar marcas
Somente a procura do inexistente.

sexta-feira, 30 de março de 2012

Amargura...



Só podes me ofertar o silêncio e a amargura
- meu pobre amor de ti só espera a indiferença...
Perdoa o meu amor... perdoa-me a loucura
que quem tem, como eu tenho, um coração não pensa...

Há muito pela vida eu seguia à procura
de alguém que viesse encher de luz minha descrença...
Foi então que te vi... e julguei que a ventura
pudesse ainda encontrar nesta jornada imensa...

E foi assim que um dia eu fui sentimental...
Acreditei no amor... E, talvez por castigo
fizeste-me sofrer; - mas não te quero mal...

Quem amou fui eu só... Eu nunca fui amada!
Mereço a minha dor, e este sofrer bendigo
na amargura cruel de me julgar culpada!...


(J. G. de Araujo Jorge)

quinta-feira, 29 de março de 2012

Estranha Encruzilhada


Chegaste... falaste de amor à minha alma cativa 
Que num infinito cárcere de solidão gemia 
Me olhaste... recebestes uma resposta esquiva 
Longe de minha real vontade... sem poder revelar o que me prendia. 


Fostes embora então... mas te sinto ainda tatuado em meu íntimo 
Amor e solidão tão próximos de mim... indissolúveis 
Penetro meu olhar em olhos que não são os teus... piso por outros caminhos não os seus... 
És minha sina... foge de mim meu livre arbítrio. 
És meu amor idealizado... pelo qual sofrerei a mais sublime das dores 
Serás meu eterno bem querer... 
Viverei nesta vida sem ter teu amor... tendo amores. 


Pensarei em ti, chorarei por ti, sofrerei por ti... 
Tua existência há sempre de me seguir... 
E meu mal maior... a covardia que ainda me prende aqui! 

Até quando há de me prender? Quando enfim criarei asas pra voar de encontro a você?

quarta-feira, 28 de março de 2012

Amor ou loucura?

Ah como eu amo!
Amo tanto que nem sei se é real ou loucura o que clamo
Talvez sejam apenas delírios dum coração carente
Loucura ou realidade, não interessa, eu apenas amo.

Amo cada gesto teu
Amo tua face de raiva, ou a de alegria
As curvas de teu corpo me deixam sentir intensamente uma maresia
Que enchem meus olhos de lágrimas e meu cérebro de desejo.

Como é doce sentir tua presença
Sentir que tudo é realmente louco ou loucamente real
Não sei se o que faz cada vez mais eu me apaixonar
É por me fazeres bem ou me fazeres mal.

Talvez os dois, não sei expressar
Sei sentir e me levar sabiamente
Se é que se pode chamar isso de sabedoria
No fundo, aos olhos do amor, pode ser.

Só tenho certeza que a cada quinze minutos me vejo mais envolvida
Mais seduzida por uma força que é tão misteriosa
Mas, sem dúvida, encantadora, e que fará ter valor o tempo vivido
Curtido sem o menor pudor.
Muitos não entendem
Se entendem, não aceitam
Que embora haja realmente tanta alegria e dor,
Não mais existe o alvo de tão grande, belo e eterno amor. 

sábado, 17 de março de 2012

Alma Desnuda



Eu me permito...
Ser lambida pela brisa
Ser lavada pela chuva
Acariciar sua pele lisa
Saborear seu beijo com gosto de uva!

Eu me permito...
Ser banhada pelo mar
Ser aquecida pelo sol
Envolver-me em seus braços e te amar
Na hora do arrebol!

Eu me permito...
Voar nas asas do vento
Flutuar junto à lua
Desvendar seus pensamentos
Deixar minha alma nua!

Eu me permito...
Ouvir a sua metade que é grito
E o silêncio da outra metade
No silêncio eu acredito
No grito, percebo debilidade!

Eu me permito...
Entregar-me a sua humana ternura
Navegar na sua inspirada poesia
Lambuzar-me na sua doçura
Nos devaneios da fantasia!

Eu me permito...
Ser envolvida pela sua sedução
Dar-te o direito de invadir meu coração
Sentir seu encanto versejado
Deste meu vício desejado!

E só permito...
Porque você também me permitiu...
Mostrou-me o seu avesso...
Seu amor que eu mereço...
O seu vinho embriagante...
Numa noite alucinante...
Entre gemidos ofegantes!...

E nesta recíproca permissão
Corpos plenos...
Almas desnudas...
Cumplicidade...
Paz!
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